OPCP publica mais uma secção do Relatório de Outono de 2019

Quarta-feira, Janeiro 15, 2020 - 07:50

Em metade das equipas de Cuidados Paliativos: os médicos apenas têm 9 minutos ou menos por dia por cada doente, e entre 1-2 minutos dos psicólogos e assistentes sociais. Baixos rácios dos profissionais por doentes e população, com especial relevo negativo nas áreas que não medicina e enfermagem.

O Observatório Português de Cuidados Paliativos publica mais uma secção do Relatório de Outono de 2019: “Atividade Assistencial das Equipas/ Serviços de Cuidados Paliativos”:

Este novo estudo registou as seguintes conclusões:

  1. Cerca de 102 mil doentes adultos e cerca de 8 mil em idade pediátrica, necessitaram de cuidados paliativos no ano de 2018;
     
  2. Acederam a cuidados paliativos 25570 doentes adultos e 90 em idade pediátrica, o que denota uma taxa de acessibilidade de cerca 25% dos adultos e 0.01% nos em idade pediátrica;
     
  3. 80.7% dos adultos admitidos tinham como base uma doença oncológica enquanto nos em idade pediátrica, 89.4% era de base não oncológica;
     
  4. 58.5% dos doentes admitidos faleceram e 21.4% tiveram alta. Nos em idade pediátrica 47.5% falecem e 25% têm alta;
     
  5. A mediana dos tempos de dedicação semanal a cada doente, é de 44.5 minutos na área da medicina, 82.5 minutos na da enfermagem, 8.8 minutos na da psicologia e 10 minutos na de serviço social;
     
  6. Em relação aos rácios profissionais:
  • Medicina: 2.7/1000 doentes admitidos; 0.6/1000 doentes estimados e 6.8/106 habitantes;
  • Enfermagem: 10.2/1000 doentes admitidos; 2.4/1000 doentes estimados e 25.4/106 habitantes;
  • Psicologia: 0.7/1000 doentes admitidos; 0.2/1000 doentes estimados e 1.7/106 habitantes;
  • Serviço Social: 0.9/1000 doentes admitidos; 0.2/1000 doentes estimados e 2.2/106 habitantes;
  • Assistência espiritual: 0.02/1000 doentes admitidos; 0.01/1000 doentes estimados e 0.06/106 habitantes;
  • Fisioterapia: 0.15/1000 doentes admitidos; 0.04/1000 doentes estimados e 0.38/106 habitantes;
  • Terapia da fala e ocupacional: 0.04/1000 doentes admitidos; 0.01/1000 doentes estimados e 0.11/106 habitantes;
  • Nutrição: 0.06/1000 doentes admitidos; 0.01/1000 doentes estimados e 0.14/106 habitantes;
  • Farmácia: 0.03/1000 doentes admitidos; 0.01/1000 doentes estimados e 0.08/106 habitantes;

7. Relativamente aos instrumentos de avaliação de necessidades e problemas:

a. Grande diversidade de instrumentos, com a grande maioria destes a ser utilizado por proporções marginais de serviços;

b. Os com utilização mais proeminente (>50% das equipas/valências), são predominantemente do domínio físico e funcional, nomeadamente:

  • Edmonton Symptom Assessment Scale (ESAS) (75%);
  • Escala de Braden (69.1%);
  • Palliative Performance Scale (63.2%);
  • Escala de Barthel (55.9%);
  • Escala de Karnofsky (54.4%);

8. Os recursos humanos existentes são manifestamente insuficientes ara um cuidado integral;

9. Existe uma sobrecarga assistencial, que pelo processo de cuidar, com baixo recurso a instrumentos estandardizados para avaliação de necessidades/problemas e resultados, não permite a comparabilidade inter-serviços e garantir/demonstra a efetividade dos cuidados prestados;

10. A cobertura universal efetiva de cuidados paliativos no nosso país está longe de estar alcançada assim como revela profundas assimetrias a nível distrital/regional e de tipologias.

Mais informações poderá consultar o estudo na integra AQUI